Passaram-se meses desde o parto e o teu corpo ainda fala contigo todos os dias.
As costas pesam, as ancas doem, os ombros estão tensos e há dias em que até respirar fundo parece pedir um esforço a mais.
E, no meio de tudo isto, tentas dar resposta ao bebé, à casa, ao trabalho… e a ti.
Se te reconheces neste cenário, não estás sozinha.
Muitas mulheres crescem a ouvir que “o corpo volta ao normal em poucas semanas”, mas a verdade é bem diferente.
O pós-parto é um caminho longo, profundo, que exige tempo, paciência e cuidado e cada corpo tem o seu ritmo.
Essas dores que sentes não são fraqueza. São sinais.
São o corpo a pedir atenção, descanso, suporte… e movimento certo.
Neste artigo vou explicar-te porque é que essas dores persistem, o que realmente acontece no corpo depois do parto e como o movimento consciente pode ajudar-te a recuperar força, leveza e equilíbrio por dentro e por fora.
O corpo no pós-parto: o que realmente acontece
A transição hormonal
Durante a gravidez, o corpo é inundado por hormonas que tornam os tecidos mais elásticos e preparam a pelve para o parto.
Depois do nascimento, esses níveis mudam abruptamente. O estrogénio e a progesterona descem, o que pode afetar a lubrificação articular e aumentar a sensação de rigidez.
Já a relaxina, hormona responsável por amaciar ligamentos e articulações, continua ativa durante semanas e, em algumas mulheres, durante meses, especialmente se estão a amamentar.
Isso significa que o corpo permanece mais instável e vulnerável a pequenas tensões.
O efeito da amamentação
A amamentação é uma das experiências mais intensas do pós-parto.
O corpo trabalha continuamente para produzir leite, o que consome muita energia e nutrientes. Além disso, a postura ao amamentar, muitas vezes curvada e tensa, cria um padrão de sobrecarga nos ombros, costas e pescoço.
Com o tempo, essa postura repete-se e transforma-se em dor muscular crónica.
O cansaço que se acumula
O pós-parto é também uma maratona emocional e física.
O sono fragmentado, o stress e o foco constante no bebé deixam pouco espaço para o autocuidado.
O corpo sente essa sobrecarga e manifesta-a através de dor, rigidez e fadiga muscular.
Não é fraqueza. É o resultado natural de um corpo que dá tudo, mas raramente recebe pausa e movimento.
As causas mais comuns de dores persistentes após o parto
Fadiga muscular e falta de força
Durante a gravidez, o abdómen, o pavimento pélvico e os glúteos enfraquecem. Depois do parto, esses músculos têm de reaprender a sustentar o corpo, mas o processo leva tempo.
Enquanto isso, outras zonas, como a lombar e os ombros, tentam compensar essa falta de força, o que gera dor.
É aqui que o movimento orientado faz toda a diferença: ajuda-te a reconectar com o core profundo, a fortalecer o corpo e a aliviar a tensão.
Alterações posturais que permanecem
Durante a gravidez, o centro de gravidade muda e o corpo adota uma postura mais arqueada.
No pós-parto, essa adaptação mantém-se, especialmente se passas muito tempo a amamentar, a pegar no bebé ou a carregar o ovo do carro.
O resultado é uma postura desalinhada, que causa dores no pescoço, ombros, costas e ancas.
Corrigir isso exige consciência corporal e exercícios específicos para reeducar a postura algo que trabalhamos com frequência no programa Super Mamãs.
Desequilíbrio hormonal e inflamação
Mesmo depois do parto, o corpo continua em reajuste hormonal.
A ação prolongada da relaxina, a amamentação e as oscilações de cortisol e insulina podem causar retenção de líquidos, sensação de inchaço e maior sensibilidade muscular.
Estes fatores fazem com que pequenas tensões se tornem mais dolorosas.
Sedentarismo e falta de movimento
É comum acreditar que o repouso é a melhor forma de recuperar, mas a falta de movimento prolonga a dor.
O corpo precisa de circulação, oxigenação e alongamento para curar.
O sedentarismo no pós-parto deixa os músculos mais rígidos e impede o corpo de recuperar força.
Por isso, o movimento é parte essencial da recuperação, desde que seja feito com consciência e orientação.
Sobrecarga física e emocional
O peso do bebé nos braços, as tarefas domésticas, o cansaço acumulado e a ausência de descanso adequado criam uma sobrecarga física e mental que se reflete no corpo.
A dor é, muitas vezes, o reflexo do que a mente ainda não conseguiu descarregar.
Por isso, o movimento no pós-parto não serve apenas para fortalecer, mas também para aliviar emoções e restaurar o equilíbrio interno.
Dores mais frequentes e o que significam
Dor nas costas e nos ombros
Uma das queixas mais comuns é a dor lombar e a tensão nos ombros.
A causa está geralmente na postura e na falta de ativação do core.
A boa notícia é que exercícios simples, como alongamentos e fortalecimento dos glúteos e do abdómen profundo, reduzem significativamente essa dor.
Dor pélvica e nas ancas
A pelve permanece instável devido à ação da relaxina.
Se não for fortalecida, podes sentir dor ao andar, ao levantar-te ou mesmo ao deitar.
O movimento suave, como a mobilidade pélvica e a ponte de glúteos, ajuda a estabilizar e fortalecer esta zona.
Dor no abdómen inferior
Muitas mulheres têm diástase abdominal (separação dos músculos do reto abdominal) após o parto.
Isso causa desconforto e sensação de fraqueza na zona média.
Com exercícios adequados e respiração diafragmática, é possível recuperar a força e fechar progressivamente a separação.
Dor nas pernas e sensação de peso
Passar muito tempo sentada ou de pé pode causar má circulação e inchaço.
A caminhada leve e o alongamento diário são essenciais para reativar a circulação e aliviar o peso.
Quando a dor deixa de ser normal
Há uma diferença entre o desconforto natural do pós-parto e a dor persistente.
Se sentes dor intensa, formigueiro, dormência, cliques na pelve ou dificuldade para te movimentares, é importante procurar ajuda profissional.
A fisioterapia pélvica e o acompanhamento especializado podem fazer uma enorme diferença.
O teu corpo precisa de tempo, mas também de orientação, não ignores os sinais.
Como o movimento certo pode aliviar e prevenir dores
O repouso total não ajuda
Durante muito tempo, recomendava-se repouso absoluto após o parto.
Mas hoje sabemos que isso atrasa a recuperação.
O movimento certo, feito com cuidado, estimula a circulação, reduz a dor e melhora o humor.
Quando te mexes, o corpo volta a encontrar equilíbrio.
Reeducar o corpo em movimento
A recuperação pós-parto não é apenas sobre “voltar a treinar”.
É sobre reaprender a mexer-te.
No Super Mamãs, começamos com movimentos suaves, focados na respiração, ativação do core e mobilidade das articulações.
Pouco a pouco, o corpo ganha força e estabilidade.
É um processo bonito de reconexão com o que o teu corpo já sabe fazer com consciência e gentileza.
Benefícios físicos e mentais do movimento
Mover-te reduz dores, melhora a postura, fortalece músculos e acelera a circulação.
Mas há também benefícios emocionais: a libertação de endorfinas e a sensação de presença no corpo ajudam a reduzir o stress e a ansiedade.
As mulheres que voltam ao movimento sentem-se mais confiantes, mais leves e mais donas de si.
Como começar
Se ainda não sabes por onde começar, as minhas aulas gratuitas de movimento pós-parto são um ótimo primeiro passo.
Mostro-te exercícios simples que podes fazer em casa, com segurança e sem pressa.
O mais importante é começar, mesmo que seja com poucos minutos por dia.
Exercícios simples que podes fazer em casa
Respiração diafragmática
Senta-te confortavelmente, coloca as mãos sobre a barriga e inspira profundamente pelo nariz.
Sente o abdómen expandir e depois solta o ar pela boca.
Esta respiração ativa o core profundo e acalma o sistema nervoso.
Ponte glúteo
Deita-te de costas, dobra os joelhos e eleva a bacia devagar até alinhar com os ombros e joelhos.
Fortalece o core, glúteos e pelve, ajudando a estabilizar a zona lombar.
Mobilidade pélvica sentada
Senta-te numa bola de pilates e faz movimentos circulares lentos com a pelve.
Este exercício melhora a mobilidade e reduz a rigidez.
Alongamento de peito e ombros
Encosta-te a uma parede, abre os braços e aproxima as omoplatas.
Ajuda a aliviar a tensão acumulada da amamentação e corrige a postura curvada.
Caminhada leve
Caminhar diariamente, mesmo por 10 minutos, melhora a circulação e o humor.
O importante não é a distância, é a consistência.
Estes movimentos fazem parte das práticas do Super Mamãs e das minhas aulas gratuitas, criadas para mulheres que querem recuperar com segurança e reconectar-se com o corpo.
Autocuidado: mais do que exercício
O movimento é essencial, mas não é tudo.
O corpo precisa de descanso, alimentação adequada e apoio emocional.
Dormir quando possível, pedir ajuda e reservar momentos de pausa são partes do processo de cura.
A recuperação não é uma corrida, é um caminho de escuta e paciência.
Quando o corpo reencontra o equilíbrio
A recuperação pós-parto é diferente para cada mulher.
Algumas recuperam força em poucas semanas, outras demoram meses.
Não há certo nem errado, há o teu ritmo.
O importante é manter o corpo em movimento, respeitar o tempo e acreditar que cada passo conta.
Com o movimento certo, o corpo volta a alinhar-se. As dores diminuem, a energia regressa e surge uma nova confiança.
Na turma das Super Mamãs, já vi centenas de mulheres recuperarem dessa forma, com leveza, força e amor-próprio.
Conclusão: Ouve o teu corpo, ele sabe o caminho
As dores no corpo após o parto são um lembrete de que o corpo ainda está em processo de cura.
Ele não precisa de pressa, precisa de cuidado.
E o movimento é uma das formas mais poderosas de o ajudar a reencontrar o equilíbrio.
Se ainda sentes dores meses depois do parto, não ignores os sinais.
Explora as minhas aulas gratuitas ou o programa Super Mamãs e aprende a mexer-te com segurança, confiança e carinho.
O teu corpo não está a falhar, está apenas a pedir atenção.
E quando o ouves, tudo começa a mudar.