Há tantas coisas sobre a gravidez que ninguém te diz.
Não porque sejam segredos, mas porque cada mulher vive esta fase de forma tão única que é difícil colocar em palavras o que realmente acontece, no corpo, nas emoções, no coração.
Quando engravidei, ouvi muitas histórias. Umas cheias de amor e encanto, outras de medo e desconforto. Mas nenhuma me preparou verdadeiramente para o que vivi: uma transformação profunda, física e emocional, que mudou para sempre a forma como me vejo e como me cuido.
Hoje, olho para trás e penso: há coisas que eu gostava mesmo que me tivessem dito. Pequenas verdades que teriam feito diferença, que me teriam dado calma, confiança e compreensão para atravessar esta fase com mais leveza.
É sobre isso que quero falar contigo, com sinceridade, sem filtros e com muito carinho.
O que eu gostava que me tivessem dito sobre o corpo
O corpo muda: e isso é natural
Quando engravidei, pensei que o meu corpo se transformaria apenas na barriga. Mas cada parte mudou: o ritmo, a energia, a forma de respirar, até a maneira como me via ao espelho.
No início, senti-me cansada e diferente. Depois, comecei a perceber que o corpo estava apenas a adaptar-se. Ele sabe o que fazer. Está a criar espaço para uma nova vida, e isso exige tempo e gentileza.
Gostava que me tivessem dito que a mudança não é sinal de perda, mas de força. Que a beleza não está em caber na mesma roupa, mas em abraçar esta nova versão com respeito.
O exercício certo faz toda a diferença
Durante muito tempo achei que devia “parar” de mexer-me. Tinha medo de fazer algo errado. Até perceber que o movimento certo não é perigoso, é essencial.
O exercício leve e adaptado ajuda a aliviar o peso nas costas, melhora a circulação e dá energia para o dia.
Na Turma das Barriguinhas, vejo diariamente como o treino seguro transforma a relação das mulheres com o próprio corpo. Não se trata de “manter a forma”, mas de cuidar de si, de aliviar tensões e de preparar o corpo para o parto.
Se eu soubesse o quanto o movimento podia ser um aliado, teria começado mais cedo: com calma, com consciência e sempre com orientação.
Vais precisar de tempo para te reconhecer de novo
Depois do parto, há um momento em que te olhas ao espelho e não te reconheces. O corpo que te serviu tão bem parece estranho, e às vezes sentes que perdeste uma parte de ti.
Mas o que ninguém me disse é que esse corpo novo é também um corpo sábio, que carregou, alimentou e protegeu.
Reconhecer-te de novo é um processo, e não há pressa.
Com o tempo, voltas a sentir-te bem, e até melhor, porque percebes que agora és mais forte do que nunca.
O que eu gostava que me tivessem dito sobre as emoções
A gravidez não é sempre felicidade
Durante muito tempo senti culpa por não estar sempre radiante.
Há dias em que a alegria é imensa, e outros em que o medo aparece de repente.
O cansaço, as hormonas, a ansiedade com o parto, tudo isso faz parte.
Gostava que me tivessem dito que é normal sentir-me vulnerável, confusa e, às vezes, até triste.
A gravidez é uma montanha-russa emocional, e não há nada de errado nisso.
O peso da expectativa e da culpa
Existe uma pressão silenciosa para sermos “a grávida perfeita”: alimentarmo-nos bem, dormir o suficiente, fazer exercício, manter o equilíbrio e ainda trabalhar, cuidar da casa, sorrir e agradecer.
Mas a verdade é que a perfeição não existe.
Gostava que me tivessem dito que é impossível controlar tudo, e que a culpa não ajuda.
O mais importante é fazer o que consegues, no dia em que consegues.
Ser mãe começa aí: aceitar o imperfeito, confiar no instinto e cuidar de ti com compaixão.
Aprender a ouvir-te e pedir ajuda
Aprendi que o corpo e a mente falam, e que é preciso escutá-los.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É uma forma de amor.
Conversar com o teu companheiro, com outras mães, com profissionais de saúde, pode aliviar o peso invisível que carregas.
Não tens de fazer tudo sozinha. E, acredita, quando deixas alguém cuidar de ti, tornas-te também uma mãe mais tranquila e presente.
O que eu gostava que me tivessem dito sobre o parto
O parto é um evento emocional, não apenas físico
Falaram-me sobre contrações, sobre tempo, sobre técnicas.
Mas ninguém me falou sobre o que acontece dentro: o medo, a entrega, a confiança.
O parto é um momento de força, mas também de rendição.
Aprendi que quanto mais confias no corpo, mais ele sabe o que fazer.
E que o parto não é apenas o nascimento de um bebé, é o nascimento de uma mãe.
O plano pode mudar, e está tudo bem
Durante a gravidez, preparei o meu plano de parto com detalhe.
Mas quando chegou o momento, as coisas nem sempre aconteceram como imaginei.
E percebi que não falhei.
Cada parto é único, e o mais importante é a segurança e o bem-estar de ambos.
Gostava que me tivessem dito que é possível sentir orgulho mesmo quando as coisas não seguem o guião.
Respirar muda tudo
Durante o parto, a respiração foi o meu maior apoio.
Aprender a respirar de forma consciente, a relaxar o corpo entre as contrações, a confiar na cadência da expiração, tudo isso faz diferença.
Nos programas da Turma das Barriguinhas, trabalhamos muito este aspeto, porque respirar bem não é apenas técnica, é conexão.
Cada respiração é um lembrete: estás segura, estás presente, estás a dar vida.
O que eu gostava que me tivessem dito sobre o pós-parto
O pós-parto é mais longo do que pensas
Toda a gente fala do parto, mas quase ninguém fala do que vem depois.
Achei que em poucas semanas voltaria a sentir-me “normal”.
Mas o corpo e a mente levam tempo.
O pós-parto não são seis semanas, é um processo de meses (às vezes, de um ano ou mais).
Gostava que me tivessem dito que a recuperação não é linear e que cada corpo tem o seu ritmo.
E que não há nada de errado em demorar.
Cuidar de ti é cuidar do bebé
Durante o pós-parto, é fácil esquecermo-nos de nós.
Mas percebi que quanto mais eu me cuidava, mesmo em pequenos gestos, mais energia e paciência tinha para cuidar do meu bebé.
Um banho demorado, uma refeição tranquila, um momento de silêncio ou um alongamento leve faziam diferença.
O autocuidado não é luxo, é necessidade.
O corpo volta, mas diferente
O corpo não volta a ser o mesmo, e isso é uma boa notícia.
Ele transforma-se, adapta-se, amadurece.
No Super Mamãs, trabalhamos o regresso ao movimento com respeito e paciência, sem pressas e sem culpas.
Recuperar não é “voltar atrás”, é avançar com consciência.
É redescobrir o corpo com amor e orgulho.
O que eu gostava que me tivessem dito sobre a maternidade
Não há um instinto materno universal
Durante muito tempo esperei sentir um “instinto automático” de saber o que fazer.
Mas percebi que o amor e o instinto se constroem.
Cada mulher encontra o seu ritmo, a sua maneira de cuidar, a sua relação com o bebé.
Gostava que me tivessem dito que é normal não saber tudo, e que aprender faz parte.
A comparação é o maior inimigo da paz
As redes sociais mostram versões editadas da maternidade: mães impecáveis, bebés tranquilos, rotinas perfeitas.
Na vida real, há caos, há choro, há noites sem dormir e também muito amor.
Comparar-te só te afasta do que importa: viver a tua própria experiência.
Cada gravidez, cada parto e cada bebé são diferentes.
Não precisas de seguir o que os outros fazem, basta ouvires o que o teu coração te diz.
O amor cresce
Nem sempre o amor acontece no primeiro segundo.
Por vezes, nasce devagar, ao longo dos dias, dos olhares, das madrugadas.
Gostava que me tivessem dito que o amor também pode amadurecer, e que isso é completamente natural.
Ser mãe é um caminho de descobertas, e cada passo é uma forma de amar.
Conselhos que eu daria a uma mulher que vai ser mãe
Escolhe informação, não opiniões
Quando engravidei, todos tinham algo a dizer: o que devia comer, o que devia evitar, como devia dormir, o que devia sentir.
Aprendi a escolher o que ouvir.
Procura fontes seguras, profissionais que saibam do que falam e que te transmitam confiança.
A informação certa dá-te poder. As opiniões erradas só geram confusão.
Cuida do teu corpo e da tua mente com intenção
Cuidar de ti é o maior gesto de amor que podes dar ao teu bebé.
Reserva tempo para o movimento, mesmo que seja pouco.
Alongamentos, caminhadas, respiração, yoga, tudo conta.
E lembra-te: o corpo que te acompanha nesta fase merece ser cuidado com carinho.
O Turma das Barriguinhas nasceu dessa vontade, de ajudar outras mulheres a moverem-se com segurança e prazer durante a gravidez.
E o Super Mamãs veio depois, para apoiar o regresso ao exercício no pós-parto com respeito e empatia.
Ambos são espaços de partilha, escuta e cuidado. Porque o corpo muda, mas continua teu.
Procura apoio
Não tentes ser tudo sozinha.
Permite-te ser cuidada, pedir ajuda, descansar.
Rodeia-te de pessoas que te compreendem e te inspiram.
A maternidade é um caminho que se percorre melhor em comunidade.
Conclusão: A gravidez é um caminho de descoberta
Hoje, percebo que nada me poderia ter preparado totalmente para a gravidez, e talvez isso seja parte da beleza.
É uma viagem de descoberta, de entrega e de transformação.
Mas gostava que me tivessem dito que tudo o que sentes é válido, que a dúvida é normal e que o corpo e o coração sabem o caminho.
Se estás grávida e queres aprender a cuidar de ti com segurança e confiança, explora os meus programas Turma das Barriguinhas e Super Mamãs.
Foram criados para acompanhar-te em cada fase, com movimento, consciência e apoio profissional, para que vivas esta etapa com mais serenidade e equilíbrio.
A gravidez muda tudo, mas dá-te também a oportunidade de te reencontrares.
E esse reencontro é, talvez, o maior presente de todos.